Entrevista com Diogo de Souza

Heeeeeeeeeeeey Foooolks!!!

Hoje vou postar pra vocês a entrevista realizada com o autor Diogo de Souza de Nêmesis – O Retorno de Astarot. Enjoy it!!!

De onde surgiu a ideia de escrever a respeito de magia?

A magia, especialmente magia moderna, é um tema que sempre me entusiasmou. Desde que eu comecei a escrever pra valer, estava namorando uma história de magia moderna na minha cabeça. Ao longo do processo de produção do “Fuga de Rigel” e do “Abascanto”, essa historia foi maturando, crescendo, foi sendo trabalhada, e quando eu comecei a escrever o terceiro livro, já tinha uma boa idéia de como seria o desenrolar de “Nêmesis”.

O mundo, a vida, como eu vejo, são processos mágicos. Escrever sobre uma realidade obviamente mágica é só um jeito simbólico de poder trazer à tona o aspecto subjetivo da nossa vida, os bastidores da realidade, sem a preocupação de escrever algo que seja “real”. Mesmo porque, no final das contas, o que é que é real, e o que é que é ilusório?

Algum livro ou autor serviu fonte inspiradora?

Não há UM livro ou UM autor que eu possa destacar, entre todos os que eu li. Existe, isso sim, alguns livros, e alguns autores que foram instrumentais na minha formação, e cujas virtudes eu procuro emular.

Em especial, posso citar Ursula K. Le Guin. Uma premiada escritora de fantasia e ficção científica que possui já algumas séries de sucesso (notem o plural). O interessante na literatura da Ursula é que ela consegue desenvolver uma trama fantástica e ao mesmo tempo se concentrar no desenvolvimento dos personagens, no mundo interior dos protagonistas. Ela escreve com um equilíbrio exemplar, e tem um estilo extremamente bem temperado.

Clarice Listector é talvez a principal referência em literatura portuguesa, ou, no mímino, umas das principais. Os textos da Clarice são tão precisos, tão intensos e imersivos que qualquer um que deseje escrever algo deveria devorar seus livros com farinha.

George R. R. Martin, escritor da série “A canção de gelo e fogo”. Quem quiser saber como construir personagens: leia esse cara. A narrativa dele é tão fluida, e o desenvolvimento dos protagonistas está tão mesclado na trama, que para um escritor ou aspirante a escritor, os livros do Martin são uma verdadeira aula de como contar uma história.

Quando você descobriu que queria ser escritor?

Foi em 2005. Eu já tinha escrito uma coisa um outra, sem compromisso, e já criava histórias há anos para meus jogos de RPG, mas foi em 2005 que um amigo meu me estimulou a escrever o livro que, mais tarde, veio a ser o “Fuga de Rigel”. Aí eu fui mordido pelo bichinho literário e de lá para cá não parei mais.

É claro que, uma mudança dessas nunca é uma coisa assim, repentina. Repentina é a manifestação, mas internamente, eu acho que já vinha maturando essa idéia havia anos. Eu gosto de contar histórias desde que me entendo como gente, e nesse afã por me expressar eu caminhei por vários campos artísticos: fiz teatro (como ator, diretor e autor), fiz canto, mas foi na literatura que eu encontrei a liberdade máxima para dar vazão à minha criatividade. Quando você escreve um livro, você não tem que se preocupar com o cachê dos atores, o orçamento dos efeitos visuais, as limitações tecnológicas… Um livro é uma transmissão de imaginação para imaginação, e pode levar nossa mente aos campos mais longínquos que pudermos conceber.

Existem novos projetos de livros?

Sim. Não pretendo parar no terceiro.

Estou atualmente escrevendo meu quarto livro (estou bem no comecinho), que é uma ficção de fantasia medieval cujo nome provisório é “O cetro dos mortos”. Se passa em um mundo ficcional chamado Karpentor. Gostei bastante do processo de criação do cenário fantástico, e agora estou me deliciando em desbravar um mundo novo.

Depois desse… idéias não faltam. Tenho idéia para uma trama relacionada com os deuses egípcios, e uma outra para um romance envolvendo fadas. E depois, sei lá. Talvez eu mude completamente de idéia e não escreva nada disso. Vou me decidir mais para frente.

Qual sua principal dificuldade na hora de conseguir uma editora para publicação?

A mesma de todo o autor iniciante, eu acho.

O mercado brasileiro tem sido inundado de títulos novos – tanto estrangeiros quanto nacionais. Ao mesmo tempo, a demanda para consumo de literatura não tem crescido na mesma taxa. Isso faz com que haja cada vez mais livros do que leitores. Uma editora, para sobreviver comercialmente, precisa diversificar seus títulos, porque sem um aumento da demanda, cada título individual vende menos do que antes. Assim, as editoras são forçadas a apostar em obras que tenham retorno garantido: grandes sucessos já consagrados ou autores com um nome já estabelecido.

Quando você está começando, não possui nenhum desses atributos. O ímpeto de uma editora apostar em seus livros é muito baixo, porque você não tem nada a seu favor para mostrar (nenhum outro livro que já tenha vendido). É difícil conseguir a atenção de um editor para sua obra, e quando isso é obtido, é mais difícil ainda que ele se decida por apostar em um título inicial de um autor obscuro. Um livro, especialmente um romance, é uma grande aposta para uma editora média ou pequena.

Porém, essa situação não é algo revoltante. É simplesmente um fato: é assim que as coisas são. É preciso reconhecer como o mercado funciona antes de sair reclamando das editoras ou livrarias ou autores. Para um autor nacional iniciante, a solução é muito simples: continuar tentando, sem parar, até que alguém se decida a publicá-lo. Esse reconhecimento que as editoras buscam é algo que pode vir repentinamente, mas é mais comum que ele seja o resultado de anos e anos de trabalho duro.

De onde surgiu a ideia da Isabela ser ginasta?

Eu queria que a Isabela (a protagonista de “Nêmesis”) fosse uma personagem excepcional já de cara. Queria estabelecê-la como alguém bem acima da média, e por mérito próprio. Ela seria uma humana comum no meio de magos, espíritos e seres místicos: não queria que o cenário se sobrepusesse à minha protagonista. Daí a idéia da ginástica: uma das modalidades atléticas mais duras de se treinar. Para chegar a ser um campeão de ginástica, é preciso uma determinação férrea, e uma força de vontade muito acima do comum.

Para enfrentar tudo o que ela iria encontrar pela frente, isso tinha que se estabelecer logo. Colocando-a como uma ginasta campeã, eu crio esse conceito na mente do leitor sem ter de explicar tudo isso – uma forma econômica e direta de comunicar essa idéia.

Você tem três livros publicados. Todos os três apresentam histórias sobrenaturais. Existe algum projeto de livros fora deste tema?

Não, nem acho que terei. Eu gosto mesmo é de literatura fantástica. Apesar de eu ler e admirar várias obras realistas, não é o tipo de história que eu quero escrever, pelo menos, não hoje.

Uma história fantástica coloca um véu na mente do leitor, e através dessa perspectiva nova, podemos contar uma história com muito mais liberdade, porque a ficção desarma a descrença. Em uma história sobrenatural, nós podemos aceitar tudo, nossa mente se liberta dos conceitos pré-estabelecidos do que (ela acha que) é “real”.

Quando isso acontece, o caráter simbólico da historia salta aos olhos. De repente, tudo na história pode ter um significado mais profundo. Somos jogados em um mundo onde as regras são muito mais abertas, onde tudo é surpreendente. Isso nos desarma. E com a mente desarmada, a real história, a história que está sublinhada pelo texto, é transmitida muito mais diretamente. A ficção sobrenatural abre as portas da nossa percepção, e nos convida a ver aquele mundo como um lugar mais amplo, mais profundo, mais mágico, e também nos convida a ver o que é profundo, amplo e mágico em nosso próprio mundo.

O que gosta de fazer quando não está escrevendo?

Eu gosto de pensar no que vou escrever em seguida.

Sério, eu tenho várias coisas que me estimulam. Eu gosto muito de jogar RPG – é uma antiga paixão minha, e jogo todo o fim de semana. Eu e meu grupo montamos um site: http://www.metagamers.com.br. Também estou envolvido com teatro até hoje: às vezes como diretor, às vezes como autor, poucas vezes como ator.

Gosto muito de assistir animações japonesas – os Animes. Os bons animes estão há anos luz em qualidade da imensa maioria dos desenhos dos outros países.

E, de resto, aquela coisa toda: sair com os amigos, curtir um bom restaurante, um bom filme, encontrar a família, e tal.

Possui outra profissão?

Sim, eu trabalho com engenharia de software. Faço isso há anos, já. É o meu “ganha-pão”, por assim dizer.

Pode parecer que um trabalho técnico não tenha nada a ver com a literatura. Acho que não tem mesmo, mas eu gosto da sensação de trabalhar intensametne em duas coisas tão díspares. Isso exercita o cérebro: ora se concentrando em algo extremamente técnico, e ora em algo tão subjetivo. É uma questão de equilíbrio, e o equilíbrio, eu acho, é o principal ingrediente que dá sabor à vida.

Então é isso.. espero que tenham gostado da nossa pequena entrevista com o Diogo de Souza e até mais.

 

Xoxo

Grazi

Posted on August 10, 2011, in bookland and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Leave a comment.

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